Tramas Vitais no MON

Atualizado: 30 de ago. de 2021

Linha e agulha costuram um diálogo com cidade



Foto: Guilherme Pupo


Na lenda oriental “Akai Ito”, o fio vermelho simboliza a conexão profunda entre duas pessoas. A linha pode embaraçar, se emaranhar, mas nunca se rompe. Na intervenção “Tramas Vitais”, o artista Geraldo Zamproni utiliza o fio vermelho, que, com uma agulha, atravessa uma das paredes externas do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.


A obra tem a proposta de dialogar com a cidade por meio da ferramenta têxtil, trazendo para o espaço de reflexão questões como a valorização, uso e esquecimento dos espaços culturais – especialmente os museus.


Por meio da agulha colossal fincada em um dos principais pontos turísticos e culturais da cidade, Geraldo procura evocar o cotidiano destes espaços e provocar a percepção do público sobre como os museus estão presentes em suas rotinas. A obra faz parte da Bienal Internacional de Arte Contemporânea do Sul (Bienalsur) 2021.


“Com isso em mente, a obra é uma provocação positiva, que se apoia numa imagem simbólica: o objeto da agulha, aqui usado para tecer conexões entre arte e cidade. A intervenção funciona como um símbolo que visa reanimar a união entre arte e cidade”, explica o artista.


Foto: Guilherme Pupo


Formado em Arquitetura e Urbanismo, Zamproni tece relações entre o têxtil e os materiais arquitetônicos. Há cerca de 15 anos, por exemplo, começou a observar o cordão de polietileno usado para fixar vidros em caixilhos de janelas e portas. A partir daí, o material passou a fazer parte das suas criações.


A linha vermelha presente em “Tramas Vitais” é um dos trabalhos que usam o cordão de polietileno revestido de tecido e trançado. Os objetos do cotidiano, inclusive, são referências recorrentes na obra de Zamproni, que aparecem como intervenções que dialogam com a própria arquitetura dos ambientes em que estão inseridos. Um exemplo são as grandes almofadas infláveis na exposição Sobre Aqueles, que parecem sustentar o prédio do Museu Alfredo Andersen.



Mesmo tendo atuado por um curto período como arquiteto, Geraldo traz para a sua criação artística muitas referências dessa área. Seu trabalho é marcado pela estética de objetos industriais, trazendo elementos que dialogam com o universo têxtil, como zíperes e máquinas de costura, além do próprio tecido. É o caso da Série Condensação, que mescla materiais industriais com tecido.






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