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Do fio ao movimento

A técnica toma forma

Do que está dentro

Da nossa vivência

Do nó à raiz da técnica.

A técnica do movimento.



A raiz do nó [2023] - Beethoven Cavalcante - Fortaleza (CE)





Trabalho com o nó da eternidade celta, explorando cordas de espessuras variadas, da corda mais grossa ao fio mais fino, a técnica é repetida independente do material a ser trançado, o objeto tende a modificar o ritmo, a força e a forma como a técnica vai sendo aplicada até restar apenas o instrumento, o corpo com a técnica que me foi apreendida. Sem o corpo/instrumento não resta nada.



Beethoven Cavalcante

Artesão e criador de conteúdo


Neto de costureira, filho de uma bordadeira com um inventor, um artista multimídia criativo com graduação em teatro, formações nas áreas de produção cultural, figurino, ex-aluno da Escola de Negócios da Rede Asta e criador de conteúdo acelerado pelo Creators Boost da YOUPIX.

O trabalho com figurinos e adereços teatrais o aproximou das técnicas têxteis e desde janeiro de 2021 vem criando conteúdos no tiktok com foco no ensino do macramê, projetos de DIY para decoração e dicas de empreendedorismo.

Beethoven ajuda as pessoas a desenvolverem suas habilidades manuais e até a transformarem isso no seu próprio negócio, compartilhando suas experiências com a criação da marca de artefatos têxteis Tecê Studio.



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Todo ser vivo passa por transformações no percurso da vida. Aliás, nascer, crescer, reproduzir-se e morrer são verbos que caracterizam a própria definição de ser vivo, pressupondo profundas modificações nos corpos. Não são etapas simples, especialmente para os seres humanos, corpos dotados de desejos que muitas vezes se contrapõem às etapas desse desenvolvimento conceitual. Mais especificamente ainda, o corpo feminino abriga o processo delicado e complexo de geração de outro ser vivo na reprodução, garantia de perpetração da espécie. Indivíduos complexos, nós, mulheres, nem sempre encaramos com tranquilidade o processo evolutivo da vida em suas definições puramente biológicas. Temos sonhos para além da maternidade, temos conflitos na construção e exercício de nossas identidades em um contexto mais amplo, na sociedade, e mais restrito, em nossas funções de mães, geradoras de novas vidas. Muitas vezes nos rebelamos, esperneamos, não aceitamos estereótipos forjados historicamente por sociedades em que as posições de tomadas de decisões são ocupadas por homens.

Desde meados do século vinte, vimos assistindo a mulheres ocuparem, no mundo ocidental, lentamente, espaços de fala que eram apenas ocupados por homens. Com a possibilidade de acesso à escolarização e a métodos de controle de natalidade, as mulheres começaram a descolar sua atuação da estrita manutenção do lar e dos cuidados com a prole. Paulatinamente, surgem narrativas que relatam as necessidades e desejos femininos para além dos papeis atribuídos pela sociedade patriarcal. Simone de Beauvoir pôde contestar o determinismo biológico nos papeis femininos; Virginia Woolf pôde defender que, se as mulheres tivessem direito a seu espaço, poderiam produzir arte como os homens; Frida Kalo pôde pintar seu desejo de liberdade e Vivienne Westwood pôde subverter amarras estéticas expressando a função política da moda. Simone, Virginia, Frida e Vivienne conseguiram, não sem grande esforço, ocupar seu locus enunciativo e se fizeram percebidas. Produziram filosofia e arte, uma fabulação criadora que perdura além de seus corpos, ressignificando identidades tradicionalmente presas a padrões patriarcais. Elas contribuem, até hoje, para a produção de significados de inúmeras Simones, Virginias, Fridas e Viviennes que não se tornaram imortalizadas com seus nomes e sobrenomes.

Partindo do pressuposto de que para nós, mulheres cotidianas, é possível também ressignificar nossas identidades, como isso pode ser feito? Para discutir o papel da mulher comum na ressignificação de sua história, vou contar um pouquinho da minha própria vida e esclarecer meu local de fala nesta conversa. Sou uma mulher de mais de cinquenta anos, recém aposentada da carreira de professora e pesquisadora universitária, esposa, mãe de três filhos jovens adultos. Como a maioria das mulheres brasileiras, casei e tive filhos. Constituir uma família, ter um companheiro de vida, cuidar da minha casa, educar meus filhos, compunham meu desejo de vida adulta desde menina. Identidade de esposa e mãe, claro, moldada pela sociedade em que vivo, pelos ideais recebidos através da educação e do exemplo dos homens e das mulheres de minha família. Ocupando uma posição privilegiada nos estratos dessas expectativas, consegui uma vida conjugal marcada pelo companheirismo e três filhos encaminhados para suas vidas autônomas. Nada disso foi sem esforço; meu, de minha família e das mulheres e homens que vieram antes de mim, mas não tivemos maiores percalços ou mesmo tragédias familiares que impedissem esse percurso. Ao mesmo tempo, construí uma carreira acadêmica, chegando aos níveis mais altos de formação pós-graduada e contribuindo para o desenvolvimento da minha área de atuação. A construção da identidade de mulher profissional deu trabalho, demandou esforço, mas não me lembro de ter sido, de forma pessoal, impedida de exercer minha profissão ou expressar minhas ideias por ser mulher. Ou seja, sou duplamente privilegiada em um país onde a violência doméstica ceifa a vida de grande parte das mulheres, onde muitas não têm condições de alimentar ou educar seus filhos com dignidade e a maioria não consegue inserção no mercado de trabalho por preconceito ou por não ter acesso à educação mínima.

Minha condição de privilégio, que reconheço, não significa que minha vida, como de outras mulheres em situação semelhante à minha, tenha sido fácil. Viver bem em família e exercer uma profissão demandam esforço constante, revendo prioridades e metas com dedicação, negociação, firmeza e ternura. A busca constante de conciliação entre as identidades de mulher esposa-mãe e mulher profissional trouxe conflitos, dúvidas, momentos de profundo cansaço, mas sem episódios de violência.

As atividades manuais têxteis, como para grande parte das mulheres da minha geração, fizeram parte da minha formação. Uns pontinhos básicos de costura, bordado e crochê me foram passados por minha avó e minha mãe. Diferentemente delas, entretanto, linhas e agulhas faziam parte apenas das minhas horas vagas. Minha mãe, antes de mim, para conseguir completar a educação básica, precisou aprender a costurar e provar para seus pais que o estudo não atrapalharia o desempenho das atividades domésticas, essas sim, função de uma mulher. Minha mãe escondia livros entre os panos das costuras; eu, por outro lado, bordava enquanto ouvia fitas com gravações de aulas de inglês. Aquilo que para minha mãe foi a ocupação primeira era, para mim, secundária. Assim, em vários momentos, as atividades manuais estiveram em contraponto com minhas atividades intelectuais, trazendo equilíbrio.

Nesse percurso, três peças de crochê passaram para minha história de vida. Engravidei de meu primeiro filho durante o doutorado. A alegria de estar a caminho de ser mãe trouxe uma vitalidade nova para aquela fase tão pesada de estudos. Depois que a criança nasceu, vi que cuidar de um filho na barriga é muito mais tranquilo do que nos braços e as coisas foram se complicando. Como se não bastassem as dificuldades, engravidei novamente e tive o segundo filho ainda sem concluir o doutorado. Tinha certeza de que, agora, não ia dar conta. Com dois bebês as ideias ficaram nebulosas, o corpo cansado de gestar, amamentar e embalar não conseguia pensar tão bem. Atinar com as frases certas, a argumentação convincente para aquele capítulo da tese parecia algo inatingível. Escolhi um fio escuro e um motivo de quadros repetidos para que não sujasse com facilidade e fosse possível transportar, sem necessidade de um espaço sossegado (não, Virginia, não podia me dar ao luxo de ter um quarto todo meu), enquanto uma blusa de crochê foi surgindo. Eu me sentia improdutiva intelectualmente, os capítulos da tese não saíam, estava me vendo como o próprio bagaço da laranja e precisava me espremer para tirar algum suco. O corpo estava cansado, improdutivo, a mente percebia-se incapaz e minava, ainda mais, as forças necessárias para continuar. Projeção de emoções conflitantes, os papeis de mãe e profissional não conseguiam produzir forças físicas e emoções positivas, combustíveis necessários naquele momento. Didi-Huberman (2016), retomando Henri Bergson, considera as emoções

como gestos ativos [...], gestos que, aliás, reafirmam muito bem o próprio sentido da palavra: uma emoção não seria uma e-moção, quer dizer seria uma e-moção, quer dizer, uma moção, um movimento que consiste em nos pôr para fora (e-, ex) de nós mesmos? Mas se a emoção é um movimento, ela é, portanto, uma ação: algo como um gesto ao mesmo tempo exterior e interior, pois, quando a emoção nos atravessa, nossa alma se move, treme, se agita, e o nosso corpo faz uma série de coisas que nem sequer imaginamos.

Foi assim que fiz a blusa. Enquanto tecia, de forma padronizada, os quadrados de crochê, as ideias também iam se organizando. As emoções negativas de fracasso, exaustão, desesperança, foram se movendo para longe, expurgados, dando lugar à emoção da esperança de que seria possível vencer. O verde que, a princípio for escolhido pela tonalidade escura, mais resistente à visibilidade de sujeira, transformou-se em um verde esperançoso. Ver a peça pronta e poder vesti-la contribuiu para que eu acreditasse em minha força, para que ainda encontrasse fôlego para continuar produzindo. Defendi a tese.

Depois de algum tempo, com as duas crianças um pouco maiores, queria expressar a alegria da maternidade. Escolhi um fio azul como fundo e crochetei outra blusa com margaridas brancas de miolo amarelo. A mãe e profissional estava viva, feliz, com trabalho e vida familiar plenos. Usei essa blusa na festinha de aniversário de nosso segundo filho, em meio aos balões e brigadeiros e à alegria infantil de novas emoções que vêm com novas descobertas. Esse momento conversa com Coccia (2010, p. 93), quando afirma que

[a] natureza vive, antes de tudo, como roupa. Ou então: é especialmente na roupa, no nosso devir imagem, que experimentamos pela primeira vez a possibilidade de existir fora de nós, para além de nós mesmos. A vida sensível é essa eternidade difusa e impessoal, indiferente à morte e ao nascimento, o plano no qual podemos nascer e renascer continuamente, sem jamais pressupor um passado ou uma história, sem ter a necessidade de nos transformarmos.

Uma roupa tecida e usada na leveza de momentos alegres como crianças e profícuos como a realização plena da maternidade e a exuberância da realização profissional projeta essa imagem de quem a usa para fora de si mesma. A leveza e a alegria das flores tecidas em amarelo em branco, em contraste com o azul forte, os pontos de crochê abertos, permitindo a circulação de ar e a visão parcial do corpo que veste a peça tornam sensível para os outros corpos, através do olhar e do toque no abraço, a efusão do momento festivo. A roupa adquire, enquanto veste o corpo, seu ânimo, sua alma.

A vida continuou, veio mais um filho, o trabalho e as funções de mãe apertaram. Os têxteis cederam lugar aos livros, às reuniões de trabalho e das escolas das crianças. Depois, com os dois filhos mais velhos já estudando fora, ao final de três décadas de trabalho, completei o tempo para requerer aposentadoria. Os planos eram pedir a aposentadoria e continuar trabalhando como pesquisadora e professora de pós-graduação, atividade que sempre me encheu de orgulho e prazer. Torcendo sonhos de muitas pessoas pelo mundo todo, veio junto a pandemia de covid-19. Como se não bastasse, descobrimos que minha mãe estava doente e precisava de ajuda. A mulher profissional e mãe ativa que eu era se tornou, da noite para o dia, uma senhora aposentada, sem os filhos por perto, marido forçosamente à distância, cuidando da própria mãe. Ela, que sempre havia colocado a família e os cuidados da casa antes de qualquer coisa, agora precisava desesperadamente de mim. As identidades, por um momento, embaralharam-se. Mas como a vida grita suas necessidades, pontas perdidas e fios dispersos são encontrados e unidos para determinar novos percursos.

Enquanto acompanhava minha mãe em exames, consultas, tratamentos, encontrei os fios restantes das duas blusas anteriores e com eles comecei a tecer uma saia. Fios azul, verde e amarelo foram dando novos sentidos para a vida de uma mulher que tinha que se renovar. O corpo não é mais o mesmo. O quadril, depois de três gestações, não tem a mesma medida de antes, as mãos não têm a mesma agilidade, os olhos precisam de mais esforço. Mas a adaptação é possível, a metamorfose é necessária para a manutenção da vida. Os fios da vida da profissional e da mãe ganham novas significações em um tempo em que quase ninguém consegue ser quem gostaria de ser. Paradoxalmente, a pandemia nos aproximou e nos afastou dos outros e de nós mesmos, nos obrigou, a todos, a assumir papeis não previstos. A vida nos confronta com situações às quais somos obrigados a nos adaptar para nossa própria sobrevivência, muitas vezes com violência e dor. Para Coccia (2020) as metamorfoses são frequentemente tão dolorosas porque

[s]ão os dias onde tudo se parece com violência: aqueles em que os golpes que infligimos a nós mesmos parecem mais duros que os que o mundo pode nos enviar. Nós somos retidos no casulo para produzir a infância. Esquecemos o mundo e passamos horas a fazer novamente o passado na inocência. O que, do lado de fora, parece ser rejeição e violência, por dentro é apenas imaginação criativa para um futuro impensável e inimaginável.

No momento da mudança, em que o processo da metamorfose ocorre, o futuro não nos pertence nem em planejamento, já que o curso que considerávamos natural e previsível é interrompido violentamente. A evolução de minhas identidades de esposa, mãe e mulher profissional foram repentinamente transmudadas em um processo violento do qual eu não tinha o menor controle. Ao mesmo tempo em que meu corpo mudava drasticamente com a chegada da fase madura, as expectativas e obrigações também foram impostas por uma situação de doença tanto global, como a pandemia, quando pessoal, a doença de minha mãe. Nesse momento, a retomada dos fios verde, esperançoso, e azul e amarelo, que me levavam à minha melhor fase produtiva, foram combinados para produzir, agora, uma saia. A saia acolhe o quadril, região feminina onde outras vidas são geradas e que mais sofre transformações nesse processo. Pensar sobre meu quadril, meu útero, enquanto cuidava de minha mãe, minha progenitora, agora vítima de um câncer de ovários, me trazia muita dor, mas paradoxalmente, alívio. Nada seria como antes, a metamorfose não permite repetição, mas existe a esperança de uma continuidade de vida. Durante o processo, violento, aprendemos a fazer o que tem que ser feito. Ponto. Depois de desmanchar várias vezes, terminei a saia. Cuidei de minha mãe, que me transmitiu o amor pela tecitura, com todas as minhas forças e acredito que ela se sentiu amada no percurso final de sua vida.

Posso dizer que produzi arte ao tecer essas três peças? Não. O que se conserva na arte, para Deleuze e Gattari (1992, pág. 213), é

A coisa, ou a obra de arte, é um bloco de sensações, isto é, um composto de perceptos e afectos.

Os perceptos não mais serão percepções, são independentes do estado daqueles que os experimentam; os afectos não são mais sentimentos ou afecções, transbordam a força daqueles que são atravessados por eles. As sensações, perceptos e afectos, são seres que valem por si mesmos e excedem qualquer vivido. Existem na ausência do homem, podemos dizer, porque o homem, tal como ele é fixado na pedra, sobre a tela ou ao longo das palavras, é ele próprio um composto de perceptos e de afectos. A obra de arte é um ser de sensação, e nada mais: ela existe em si (itálicos e genérico masculino dos autores).

As sensações intrínsecas às três peças têxteis podem sobreviver apenas em parte independentemente dos sentidos que eu atribuo a elas como criadora. A textura dos fios pode transmitir a percepção do aconchego, as cores podem, em nossa cultura ocidental, brasileira, transmitir alegria ou tristeza, mas os sentidos atribuídos por mim na feitura das peças não sobreviveriam sem o acompanhamento da narrativa de minha história. As peças não tratam de diferentes fases, com seus conflitos e soluções, de mulheres de uma determinada geração de uma forma original ou independente de quem teceu as peças ao ponto de configurar obras de arte. Nem mesmo que a polissemia da arte seja considerada, nem mesmo que partamos do princípio de que uma obra de arte não precisa carregar o mesmo significado para todos aqueles que a contemplam. A plurissignificância, aliás, faz com que a arte seja até mais duradoura, já que será viva enquanto se abrir a possíveis significados diferentes.

Não, não sou uma artista. Sou uma mulher que busca ressignificar sua vida em diferentes momentos, que procura combinar e recombinar seus fios, suas cores, criando novas possibilidades de significados. Eventualmente, mulheres assim podem vir a produzir arte. Inexoravelmente, somos todas mulheres que procuramos vida.

REFERÊNCIAS

COCCIA, Emanuele. A vida sensível. Tradução Diego Cervelin. Desterro [Florianópolis]: Cultura e Barbárie, 2010.

- - -. Metamorfoses. Tradução Madeleine Deschamps. Rio de Janeiro. Dantes Editora, 2020.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia. Tradução Bento Prado jr. E Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Que emoção! Que emoção? Tradução Cecília Ciscato. Ed. 34., 2016



Vera Helena Gomes Wielewicki é professora aposentada do Departamento de Letras Modernas e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Especialista em Literatura Brasileira (UEL - Londrina)

Mestre em Letras - Língua Inglesa e Literaturas (UFSC - Florianópolis)

Doutora e Pós-doutora em Letras - Língua Inglesa e Literaturas (USP - São Paulo).

Artigos publicados, pesquisas e orientações em literatura e formação de professores, multimodalidades, multiletramentos e educação inclusiva

Crocheteira e curiosa sobre as artes têxteis

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O que é um corpo, senão um organismo vivo composto por vários tecidos? Comecei a escrever este diário em um momento de imenso silêncio, muito por ter sido fortemente atravessada pelos acontecimentos coletivos, familiares e políticos dos últimos meses. Muito, por vir observando recentemente, toda a reconstituição celular que se dá no meu corpo. Não as vejo trabalhando, mas as reconheço quando me vejo pura imagem refletida no espelho. É neste momento, que percebo todo o sensível que habita dentro de mim. A gente envelhece, com sorte, observando mais os processos que vivemos, a nuance das cores que enxergamos, os sons, os ruídos que escutamos e as consequências das escolhas que fazemos. Para que se olhe profundamente o outro, é imprescindível olhar primeiro para dentro.


Meu caminho definitivamente não foi linear e minha trajetória passa por práticas, experiências e lugares diferentes. Sinto que preciso constantemente mover meu corpo de lugar para sentir algo novo, que verdadeiramente me atravesse. Sinto que preciso de deslocamentos para me experienciar. Foi nessa busca, que descobri minha relação com as plantas, da qual, me move cotidianamente. Também foi nessa busca, que aprendi a reconhecer que cada movimento feito por mim, traz os afetos recebidos pela minha avó na infância. Iracy não me ensinou a crochetar, não me ensinou a bordar, não me ensinou a costurar, não me ensinou a tricotar, mas me ensinou a amar a terra e a tudo o que ela dá. Me ensinou a amar os ciclos da vida. Me ensinou que afeto também é alimento. Iracy, me formou mulher feita de terra, entre grandezas e fortalezas.


Para Mauss (2003), o primeiro e o mais natural meio técnico do homem, é o corpo. Ele é capaz de receber as impressões externas, de ser percebido pelos sentidos, de captar o que existe e expressá-lo criativamente. Talvez a única técnica que eu tenha apreendido na tradição da minha avó foi a de não ter uma técnica transmitida por ela. Muito embora, o conto de suas histórias, tenha penetrado pelos meus ouvidos e impregnado por inteiro no meu corpo sabido. Ele é o único lugar que paradoxalmente é universal e estritamente particular. Ele é instrumento de diferentes linguagens. É nele que sentimos a vida. É nele que investigo a mim mesma, estimulada pelas incertezas de viver com a dúvida. Ele tem sua própria sabedoria.


Também temos um corpo totalmente habitado por reproduções sistêmicas e sociais. Automatizamos nossas ações diárias, amortecidos por estímulos parasitas. Reproduzimos a auto exploração voluntária passiva e o que pertence às formas de expressão da liberdade, como a emoção e a comunicação, se tornaram excessivamente explorados sem nenhuma resistência. Nos tornamos totalmente submissos e dependentes, de forma sutil, flexível e inteligente. Para a curadora e crítica de arte Ana Paula Cohen, “o que tem de mais vivo em nosso corpo, é a força do desejo que reverbera, onde o capitalismo bebe direto da fonte.”


O regime neoliberal introduz o tempo todo uma rivalidade inexplicável: a motivação, a otimização, a iniciativa, a competição e o sujeito como projeto. A técnica psicopolítica de dominação desse regime, carrega características próprias de uma sociedade de controle: cuidadosa na administração dos corpos e gestora calculista da vida. De acordo com Deleuze em (Han, 2018) no regime disciplinar biopolítico, o corpo é o poder que afirma completamente a vida. Diferentemente, no regime neoliberal, a psique humana está em foco,

sendo apoderada nas camadas mais profundas das nossas necessidades, desejos ocultos e anseios. A técnica de poder deste regime não se apodera do indivíduo de forma direta, mas em vez disso, garante que este, aja sobre si de forma que reproduza o contexto de dominação dentro dele mesmo e interprete-o como liberdade. Vivemos o colapso da verdade e a persistência se tornou o maior ato de resistência da atualidade.


Será que devemos proteger nossas vísceras o tempo todo?

Será que existe lugar seguro quando nos colocamos à prova dos nossos próprios desejos?


Para Han (2018), ser livre, não significa nada mais do que se realizar conjuntamente. Liberdade, é sinônimo de comunidade bem-sucedida e o isolamento total para o qual conduz o regime neoliberal não nos torna livres de fato. Cada um de nós é um mundo, uma cosmovisão. É necessário enraizar todo dia, marejar todo dia. Ir de encontro, questionar, afrontar, não se aquietar, desconfiar. É preciso manter a vida viva. Ter um diário de pele para registrar as trocas, as transformações, os encontros que nos ajudam a esculpir novos olhares. Espiar o que não está dado, se direcionar ao mistério. Se encantar com coisa boba e corriqueira para nos impulsionar a força vital que alimenta a vida. É necessário ativar a imaginação para um futuro inimaginável. Seguir com valentia para interpretar nas entrelinhas. Abraçar a desventura para inventar um novo mundo. É preciso fazer lama do choro para umidificar as entranhas, todo santo dia. Uma vida feita unicamente por emoções positivas não é uma vida humana. A experiência reconecta diretamente com o nosso corpo.


Para Coccia (2020), a vida que anima nosso corpo, começou bem antes do momento em que este recebeu o sopro da vida. Tudo o que temos dentro, já foi experimentado milhares de vezes, abrindo-se para todas as transformações futuras. Somos um código genético que deu forma a outras vidas e, todas as espécies viventes, operam de forma consciente para transformar o mundo ao seu redor, para readaptá-lo à sua existência. Do verme a planta, na verdade, estar vivo, implica modificar radicalmente o espaço ao redor e fazer com que esse espaço seja completamente habitável. A metamorfose, faz parte de um ciclo periódico de rejuvenescimento de diferentes espécies e a técnica – a arte de construir casulos – faz de todos os seres simultaneamente o sujeito, o objeto e o meio do ato de transformação. Ela não é uma força que se opõe à vida ou que a prolonga externamente, ela é somente sua expressão mais íntima, seu dinamismo originário. O manuseio do mundo, torna-se portanto, aquilo que permite desfazer-se de sua própria natureza, transformando-a por dentro. A técnica - o casulo - é a forma que todo ser vivo mantém com ele mesmo e que o conduz a modificar radicalmente seu corpo e sua identidade. Toda relação consigo mesmo é, então, de natureza técnica e visa modificar sua própria forma.


Desde muito longe no tempo, as emoções passam por gestos que fazemos sem nos dar conta.

Esses gestos são como fosseis em movimento, contam uma longa história inconsciente e sobrevivem em nós. Nenhuma emoção é da ordem do eu e sim, da ordem do nós. Quando a emoção nos atravessa, nossa alma se move, nosso corpo se agita e faz uma série de coisas que nem sequer imaginamos. Segundo Didi-Huberman (2016), as emoções são um grande poder de transformação, da memória em desejo, do passado em futuro, da tristeza em alegria. Quando nos emocionamos, nos abrimos, manifestamos o movimento e transformamos aqueles que emocionamos. A emoção não pode ser definida como um estado

de pura e simples passividade. Transformar-se, é sempre passar de um estado a outro. Quando nossas emoções se transformam em pensamentos e ações, transformamos o mundo.


É sempre fora de nós, que algo se torna passível de experiência. Coccia (2010) entende que para a vida existir e se dar como experiência, é necessário existir o sensível. E para que haja sensível, assim como sensação, é necessário que exista um espaço intermediário entre nós e os objetos – meio -, onde o real se torna perceptível através da imagem. Os meios, enquanto condição de possibilidade da existência do sensível, são o verdadeiro tecido conectivo do mundo. São eles que permitem a comunicação entre o subjetivo e o objetivo, o psíquico e o “natural”. São aquilo que produz a relação de continuidade entre espírito e realidade, entre mundo e psiquismo. Todo meio se relaciona não apenas como aquilo que recebe o sensível, mas também como aquilo que é capaz de transmiti-lo. Se é capaz de receber o mundo, devolve aquilo que recebe sob a forma de sensível. Já que a experiência e a percepção são uma contínua correspondência com o sensível, também o pensamento é uma forma de multiplicação. A palavra, a audição, a visão, todas as nossas experiências são uma operação de multiplicação do real, uma vez que utiliza imagens. É o sensível que abre o mundo diante dos corpos. É o sensível que abre o caminho para a existência da vida.


O próprio do sensível é o fluxo. Entendi muito recentemente que toda minha trajetória curvilínea foi fundamental para minha atual prática artística e esse entendimento, me coloca a reconhecer que meu corpo, é também um ‘corpo-vibrátil’ (Lygia Clark), sensível aos efeitos da agitada movimentação dos fluxos que me atravessa e um grande veículo de transmissão do meu sensível. Através da minha produção, estou gerando vida, fazendo parte do grande tecido conectivo, gerador de experiências transformadoras que está posto para cada um de nós experenciarmos. Entendendo que meu corpo é tecido e que o tecido também é meu corpo, não existo somente como indivíduo no mundo, mas ao me tornar com o mundo, coletivizo meu ser, me tornando parte da teia. A experiência é ela mesma um corpo sensível, que está para além de nós e de qualquer produção no mundo. Acredito na experimentação e gosto de produzir a partir da minha própria experiência. Gosto de trabalhar nas pequenas coisas, criar intimidade com o inominável e a partir do meu trabalho, entender melhor a vida.


Ainda para Coccia (2010), o sentido de todo nosso movimento é definido pelas imagens – sensíveis – que nos nutrem diariamente, alimentando nossas experiências e dando corpo aos nossos desejos. Criar, escrever, falar e até mesmo pensar significam, sobretudo, mover-se no sentido contrário: encontrar a imagem certa, o sentido certo que permite tanto tornar real aquilo que se pensa e se experimenta, quanto encontrar aquilo que possibilita a libertação disso tudo. O que define a vida humana, é a força de liberar uma idéia capaz de mover o próprio corpo e de fazê-la ter vida própria. Do mesmo modo, aquilo que distingue um animal de uma planta é a aptidão de produzir sensível. Ao criarmos uma obra de arte, estamos produzindo sensações, ora dando durabilidade a ela - com materiais capazes de a manterem intactas por décadas ou séculos - ora sendo passageiros - criando e refazendo a noção de tempo -. Produzir arte é ter o sol na barriga, é encarnar um sensível desencarnado do nosso corpo anatômico, é ressignificar instantes, é observar paisagens dentro do invisível, é ‘sensificar’ a subjetividade e a espiritualidade, é experenciar a vida a partir de valores estéticos sem fetichismos, é ser intermediário de diferentes percepções, é viver o manancial de coragem de enfrentamento do trágico.

Minha prática artística acontece como desdobramento no tempo e não necessariamente como uma obra acabada. Acontece no ritmo de uma vida tecida pelo sensível, transformando gestos e emoções imemoriáveis. Para Deleuze e Guattari (1992), nenhuma obra de arte é feita somente pela técnica, composição é estética e trabalho da sensação. Certamente, a técnica compreende muitas coisas que se individualizam segundo cada artista, mas o que define a arte, é sempre enfrentar o caos, esboçar e traçar um plano sobre o caos. O artista cria blocos de perceptos (percepções) e afectos (afetos), mas a única lei da criação é que o composto - obra de arte -, deve ficar de pé sozinho, pelas sensações que se conserva em si mesmo. O que se conserva, não é o material que constitui a obra, mas o percepto ou o afecto. Mesmo o material durando alguns segundos, daria à sensação o poder de existir e de se conservar em si, na eternidade que coexiste com esta curta duração. Há um minuto do mundo que passa, não o conservaremos sem ‘nos transformamos nele’ diz Cezánne. Não estamos no mundo, tornamo-nos com o mundo, nós nos tornamos, contemplando-o. Tudo é visão, devir. Arte é sensação, mais nada. Ela existe em si mesma, é a única coisa no mundo que se conserva.


Definitivamente não acessamos nossas emoções sem passar pelo vazio. O vazio é uma sensação e toda sensação se compõe com ele. Ainda para Deleuze e Guattari (1992) tudo se mantém sobre a terra e no ar, conservando o vazio. Conservando-se a si mesmo, conservamos o vazio. ‘Quando você se sentir vazio, não lute contra o vazio’ diz Lygia Clark. Venho refletindo que conservar o vazio, é não proteger as próprias vísceras, é muitas vezes colocá-las para fora sem fugir do desconforto. É nos deixarmos tomar pelo festim da vida e da morte entrelaçadas. É criar se desconstruindo por inteiro, se revirando do avesso. Eu me desbordo. Eu me rasgo. Eu me estico. Eu me esgarço. Meu corpo/tecido segue produzindo em parceria com a memória silenciosa de outros corpos dentro do meu corpo. Nessa simbiose ambulante, eu me comprometo com ele todo dia. Me comprometo a não permanecer na estabilidade da segurança e do conforto, me comprometo a buscar impulso na minha força disruptiva, me comprometo a viver em estado de arte (Lygia Clark) e me comprometo a continuar manuseando o mundo, conscientemente. Me comprometo, caminhar observante, ouvindo sua inteligência, sendo matéria, existindo como obra de arte e reverenciando todo processo. Me comprometo a rejuvenescer na ordem do meu próprio caos.


Tudo que é místico veio sendo aniquilado desde a expansão da colonização das Américas pela Europa Central, suprimindo os saberes do corpo e colocando o conhecimento e a ciência como verdades absolutas. Mas é exatamente essa propensão de forças ocultas que atravessa nossos corpos, que está regendo o mundo das sensações, que nos obriga a pensar e nos gera angústia. Não temos espaço na sociedade neoliberal para deixar o corpo cair no vão - em queda livre. O objetivo da arte é provocar transformação, é ser passagem de um estado a um outro. E segundo Solange de Oliveira, pesquisadora e professora, “é ser da ordem do impalpável, utilizando a forma como seu meio de passagem, nos convocando de dentro do seu transbordamento vital.” Criar, me obriga a abrir essa conexão com o meu corpo, onde eu diariamente posso desanestesiar o meu sentir. Não sou uma gênia, sou uma pessoa criativa. Trato meu trabalho com constância e vou percebendo meus diferentes interesses, utilizando diferentes suportes para existir no mundo. Construo obras, para construir novos espaços de pensamento, novas consciências. Para reconhecer a ação do meu próprio corpo, como obra. Quando crio, me teço e me possibilito ganhar novas formas no ato do fazer. No processo de criação, vou me fiando, produzindo minhas próprias narrativas e histórias no mundo. Meu trabalho, me provoca a existir junto ao meu corpo. Somos parceiros, preciso dele e ele precisa de mim, criamos na construção de contra métodos e constantes movimentos disruptivos.


O fazer artístico acontece sob um colapso, sobre algo que nos atravessa profundamente e a presença, é a força que faz despencar tudo aquilo que acreditamos fazer sentido. A potência do meu corpo no meu trabalho me permite experenciar uma nova forma de fazer, saindo de lugares comuns e rompendo padrões, sem me ferir. Sigo junto com o fio, em um constante movimento de encontrar-me nos meus próprios rituais. Gosto de pensar os lados contrários - o avesso e o direito -, gosto de repensar o bordado romântico como reprodutor de uma opressão secularmente instaurada, o tingimento natural apenas como beneficiamento têxtil, ou o tecido apenas com a função de vestir, proteger o corpo. Gosto de mudar as formas, de expandir a visão, gosto da imprecisão, da deriva, gosto de achar beleza e singularidade na imperfeição, gosto de deslinear, de destecer e depois escrever. Gosto de trabalhar o desgaste, o limite, gosto de ver meu trabalho acontecendo no meio, no lugar de gestos reveladores. Gosto de ser moldada pela minha obra, desenhada pela minha intuição. Gosto de vislumbrar e perseguir o sentido do meu devir. Gosto de fazer minha arte em pleno exercício de liberdade, negligenciando os protocolos normativos do cotidiano. Gosto de ser criadora da fruição da vida. Para o curador e crítico de arte Paulo Herkenhoff, “as únicas que podem ensinar sobre o feminino são as mulheres, ou elas estão na frente ou lado a lado dos homens.”


Para a artista, professora e pesquisadora Mariana Guimarães, “o fio é ritmo e seu movimento atrai a finalidade de seu infinito. É o ritmo que seduz o bordado e é ele que organiza o caos da vida dentro e fora de nós. A partir do fio, nos cuidamos, cuidamos uns dos outros, cuidamos da arquitetura germinal que faz parte da vida.” Eu me encontro, encontro o outro, eu me escuto e escuto o outro. Foi com o fio que eu entendi que o tecido é uma paisagem e que o nosso corpo é o mundo. O fora também faz parte da rede, onde existe as lacunas do vazio que nos compõe. Quando trabalho com o meu corpo, trabalho meus fragmentos, vou cicatrizando, costurando novas formas de existir e é isso que realmente importa. É preciso ser ética e política em nossa postura. Nossa prática não deve jamais transpor valores fundamentais para a manutenção da vida.


Para a filosofa, curadora, psicanalista, escritora e crítica de arte Suely Rolnik, “ética e estética devem seguir indissociáveis, para não desativar o processo de criação experimental da existência humana, para não minguar a vida.” No mundo contemporâneo, vivemos um grande paradoxo, a arte se tornou um domínio bem delimitado, e o mercado, se converteu no principal dispositivo de reconhecimento social. Ser artista hoje, tende a orientar nossa vida cada vez mais em função deste reconhecimento e, portanto, das formas que se supõe valorizáveis. Cada vez menos, a prática artística está em função da forma como veículo para transportar as particularidades de cada universo que somos. Nesse contexto, ser artista é existir mais glamourizado, pairando inabaláveis nas turbulências de se estar vivo. Sinto, que ser essencialmente artista hoje, seja uma tarefa árdua dentro do modelo capitalista, mas não impossível. Tomemos como modelo as plantas, que não são lineares, mas sim rizomáticas. Meu maior desejo, é poder viver o meu trabalho como órgão de reprodução regenerante, inspirando a mudança de direção dos olhares para o verdadeiramente singelo e singular.


Fabíola Triñca

São Paulo - verão 2023



Referências Bibliográficas:


Coccia, Emanuele. A vida sensível. Tradução Diego Cervelin. Florianópolis: Cultura e Barbárie – Desterro, 2010.


Coccia, Emanuele. Metamorfoses. Tradução Madeleine Deschamps e Victoria Mouawad. Rio de Janeiro: Dantes Editora, 2020.


Clark, Lygia. A casa é o corpo: penetração, ovulação germinação, expulsão (The House is the Body), 1968 in Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988. Disponível em: <https://www.moma.org/audio/playlist/181/2425> Acesso em: jan.2023.


Deleuze, Gilles. Guattari, Féliz. O que é a filosofia?. Tradução Bentro Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro. Editora 34, 1992.


Didi-Huberman, Georges. Que Emoção! Que Emoção?. Tradução Cecília Ciscato. Coleção Fábula. São Paulo: Editora 34, 2016.


Han, Byung-Chul. Psicopolítica – O neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Tradução

Maurício Liesen. Belo Horizonte: Editora Âyiné, 2018.


Lipovetsky, Gilles e Serroy, Jean. A estetização do mundo. Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.


Mauss, Marcel. Sociologia e Antropologia: As técnicas do Corpo. Tradução: Paulo Neves. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.


Oliveira, Solange de. Judith Scott: A tessitura do Devir. Revistas da USP, São Paulo, v.19, n.43, 2021.


Rolnik, Suely. Lígia Clark e o híbrido arte/clínica. Revista Concinnitas, Rio de Janeiro, v.1, n.26, 2015.




Fabíola Triñca, cursou Bacharelado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2009, iniciou sua trajetória artística no cinema, atuando como figurinista por mais de 10 anos. Em 2014, se especializou em Tingimento Têxtil Vegetal (Textile Natural Dyeing) em NY/USA e em 2018, estudou na Escola de Belas Artes do Parque Laje (EAV RJ) com o curador Fernando Cocchiarale e a artista Anna Bella Geiger, iniciando sua prática nas artes visuais.


Sua pesquisa parte do entendimento primordial de que a Terra é extensão do corpo e o corpo do tecido, propondo como narrativa visual, a coexistência paralela e igualitária entre plantas e seres humanos. É interessada na transmutação humana a partir de uma nova postura sobre a emergência climática. Utiliza o tecido como suporte principal para a materialização das suas obras e em sua prática alquímica, desenvolve estudos de cor a partir do uso de plantas tintórias. Sua atuação abrange diferentes linguagens da produção artística, com particular interesse em instalações site specific, escultura, poesia, objetos têxteis em campo expandido e uma recente investigação em vídeo.

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