Tricô é a nova meditação




Me considero uma pessoa espiritualizada. Adoro ler sobre religiões, já experimentei dezenas de práticas integrativas, meses de yoga, mas definitivamente, meditação nunca foi a minha praia.

Cursos, livros, meditação semanal no trabalho, nada fez minha mente ansiosa dar uma pequena pausa em sua agitação constante. Até que eu encontrei o tricô.

Através do bordado eu já havia alcançando uma relação mais sadia entre meu corpo e mente, desatado nós (internos e externos), mas o tricô “desafiador”, aquele que exige que você acompanhe todos os pontos em uma receita, esse me fez realmente “parar de pensar” por algumas horas, diminuído consideravelmente a minha ansiedade.


Estudos comprovam:



E eu não estou sozinha nessa, um estudo da Universidade de Otago (Nova Zelândia), com 658 estudantes universitários, revelou que os jovens se sentiam mais felizes nos dias seguintes de quando haviam feito atividades criativas como tricô ou crochê.


“Há um crescente reconhecimento na psicologia de que a criatividade está associada ao funcionamento emocional. No entanto, a maior parte deste trabalho se concentra em como as emoções beneficiam ou dificultam a criatividade, e não se a criatividade beneficia ou prejudica o bem-estar emocional ”, diz Conner, coordenador da pesquisa.


Outra pesquisa muito interessante sobre os benefícios do tricô (Managing anxiety in eating disorders with knitting) foi realizada na recuperação de pessoas com transtornos alimentares. Trinta e oito mulheres que sofriam de anorexia disseram se sentirem menos ansiosas após participarem de aulas de tricô e 74% relataram que a intensidade de seus medos e pensamentos diminuiu ao tricotarem, produzindo um efeito calmante e terapêutico. Isso acontece, porque evidências teóricas e empíricas sugerem que a realização de uma tarefa visuoespacial concomitante reduz a intensidade emocional de imagens angustiantes.


No mesmo sentido, Betsan Corkhill, fundadora da Stitchlinks, um negócio social para promoção do tricô terapêutico, realizou em 2010, em conjunto com um professor de terapia ocupacional da Universidade de Cardiff, uma pesquisa online sobre os efeitos percebidos do tricô no humor, sentimentos, pensamento, atividade social e habilidades.


O estudo, que recebeu 3.545 respostas e foi publicado na edição de fevereiro de 2013 do British Journal of Occupational Therapy, revelou que a maioria dos tricoteiros descreveram uma relação significativa entre a frequência com que faziam tricô e a sensação de felicidade. Alguns disseram que o tricô afetava positivamente seu funcionamento cognitivo, ajudando-os a resolver os problemas ou a pensar com mais facilidade.

Publicação:

“Através da linha, eu podia sentir os músculos do meu pescoço se soltarem e meu corpo começar a relaxar pela primeira vez em meses. Eu quase podia sentir meu cérebro se desatando, percebendo que não era tão ruim assim ser eu mesma, fui me acalmando ”. Depoimento do livro Knit for Health and Wellness de Betsan Corkhill


Recentemente, Corkhill lançou o livro Knit for Health and Wellness no qual afirma que o corpo humano não foi capaz de se adaptar às transformações da vida moderna (extremamente veloz), e, por isso, nossos níveis de hormônios do estresse estão constantemente elevados, dando respostas exageradas a questões desagradáveis, mas não necessariamente de ameaça à vida, como barulho, trânsito e excesso de trabalho. Para a autora, termos como hábito atividades de relaxamento, como tricotar, é questão de sobreviver. Os movimentos rítmicos do tricô induzem a uma sensação calmante e meditativa necessária ao nosso dia-a-dia.


“Reservar 20 minutos por dia para se envolver no processo rítmico de tricotar pode ajudar a administrar essa dose diária de estresse a que todos estamos sujeitos. Ser capaz de “desligar” por um período de tempo é fundamental para a saúde e bem-estar, especialmente para nós, que vivemos 24h por dia conectados à Internet. Nosso corpo precisa de tempo para se curar, crescer e se regenerar”


Para Corkhill, um seu corpo não pode ficar alerta o tempo todo sem sofrer consequências. Tricotar pode ser um caminho de autocura.

Por aqui, estou trabalhando nesse xale da foto que exige toda a minha paciência, calma e atenção, e me oferece horas do meu tipo de meditação.


E por aí, já tricotou hoje?

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Curitiba - Brasil

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