Tomilho, mãos e a própria vida


“A cozinha cheira a tomilho, algo está acontecendo nessa cozinha, talvez seja a vida”

No documentário/livro José e Pilar, Pilar del Rio conta que recebeu essa mensagem de uma amiga doente que viria a falecer no dia seguinte. Desde então, para ela, cheiro de tomilho é cheiro de vida.

“Se o mundo cheirasse a tomilho, vai ver que estaríamos em outra situação, mas ele cheira a petróleo, prédios de vidro, perversão e mentira”. “Qualquer pessoa que não suja as mãos com a matéria, que não cozinha, que não se dá conta que tem tirar o pó de uma casa, vai se distanciando da vida real.”

Li esse livro em 2012 e ontem, fazendo um cesto grande e pesado, com três fios de malha, lembrei desse trecho. Minhas mãos ardiam, minhas costas e braços doíam e meus ombros ficaram exausto.



Diferente do processo com fios e agulhas finas, essa experiência trouxe meu processo para a corporalidade da vida. Diferente das práticas esportivas (que também têm o seu papel) cozinhar, varrer, serrar, crochetar com peso, são atividades que nos trazem pra dimensão corporal da vida, porque são a própria vida acontecendo. Vivemos na negação do corpo e da organicidade e esquecemos que não há cognição sem encarnação, é na materialidade que ela se dá se revelando através dos sentidos.



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