Quilting e patchwork: uma visão contemporânea

Atualizado: Mar 8

A artista Joana de Lima une as duas técnicas utilizando costura artesanal e tingimento natural


Tons naturais, tecidos orgânicos e formas geométricas se misturam no trabalho da artista Joana de Lima. Sua produção, como ela mesma diz, tem como ideal unir as técnicas tradicionais do patchwork e do quilting em uma interpretação mais contemporânea. Basta uma visita ao seu Instagram, onde ela divulga as suas produções, para perceber como a costura artesanal une texturas e cores que dão forma ao seu fazer manual.

No seu trabalho, utiliza basicamente duas técnicas: o patchwork, que consiste na união de pequenos retalhos de tecido costurados entre si, formando diferentes desenhos e composições; e o quilting, uma técnica de costura que passa pelas três camadas de um quilt (colcha), unindo a frente, o recheio e o verso, dando um aspecto acolchoado ao trabalho.

“O patchwork eu costumo costurar à máquina, porque é algo mais preciso e exato, mas o processo de quiltar eu sempre faço à mão. Existem máquinas de costura super tecnológicas e específicas para isso, mas o resultado de se fazer à mão não se compara. É de uma beleza única e eu acho que adiciona mais personalidade ao trabalho, além de me proporcionar momentos de costura quase que meditativos”, reflete Joana.


Percurso

Os trabalhos manuais estiveram presentes na vida da artista desde muito cedo. Sua avó a ensinou a tricotar quando era muito nova e a mãe sempre a incentivou a desenvolver essas habilidades. Mas foi quando eu tinha uns 20 anos que decidiu se dedicar mais à costura, num momento da vida em que o trabalho manual foi como uma terapia. “Trabalhar com as mãos para arejar a cabeça”, completa.

Então, decidiu fazer um curso básico de patchwork e foi praticando em casa, seguindo uma perspectiva bem matemática e perfeccionista, conforme haviam ensinado nas aulas. Com o tempo, foi experimentando outras maneiras de executar - com o patchwork e o bordado japoneses (boro e sashiko), com o patchwork coreano (bojagi/pojagi), com diferentes técnicas de appliqué e os muitos estilos de patchwork norte americano.

Descobri, assim, que o ato de costurar poderia ser algo bem mais orgânico, livre e divertido. Percebeu que a produção que antes utilizava todo e qualquer retalho em suas composições, dos mais variados tipos de tecido porque havia a escassez dos mesmos, hoje poderia seguir a mesma ideia, mas porque os temos em excesso.

“Reaproveitar e ressignificar algo que já existe no mundo está diretamente ligado a um modo de vida mais sustentável que tento adotar. Então além dos tecidos que compro para tingir, também garimpo muita coisa antiga em lojas, brechós e bazares”, conta.


Materiais

A matéria prima natural - algodão, linho, seda – quando possível orgânica, é priorizada no trabalho de Joana. Com a intenção de minimizar o impacto e os resíduos que produz, prefere colorir os tecidos com pigmentos naturais. Essas escolhas, ressalta, partem de um princípio sustentável, mas também conversam com uma questão estética. Fibras naturais, observa a artista, são infinitamente mais bonitas e agradáveis ao toque, além de durarem muito mais. “E as cores que se pode atingir através da tinturaria natural são incríveis e complementam-se de uma forma que só a natureza sabe fazer”.

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