O que você projeta nos seus fios?

Por mais Wabi-Sabi nos nossos fazeres.



Uma das coisas que considero mais bonitas nos projetos manuais são sua unicidade, a história particular de feitura e acabamento de cada um deles. Isso significa que, embora possamos seguir receitas ou manuais, sempre teremos como resultado algo sem precedente. Afinal, somos natureza, e diferente da máquina, nossas habilidades, humores e contextos de feitura estão sempre em mutação. Aceitar esse fato em um mundo que busca incessantemente a juventude e a perfeição, é um desafio até mesmo para quem se propõe a fazer com as próprias mãos, o que torna revolucionário valorizar a imperfeição.

Porque a beleza está justamente na imperfeição e os japoneses têm um conceito maravilhoso para isso, a estética/filosofia/arte de viver, Wabi-Sabi.


It is a beauty of things modest and humble

It is a beauty of things unconventional




Com origem no Zen Budismo, o Wabi-Sabi valoriza a beleza nas coisas imperfeitas, impermanentes e incompletas. Leonard Koren, No livro Wabi-Sabi: for artists, designers, poets & philosophers, apresenta ao ocidente o conceito que conheceu através de suas buscas espirituais, no começo dos anos de 1960, e o ajudou a resolver um dilema artístico sobre criação de coisas bonitas. O libertando da estética padrão do perfeito e “fofo”.

Um conceito que, segundo, Koren, não se compreende, mas se sente, já que Wabi-Sabi é a filosofia “zen das coisas”, e o Zen é antes tudo anti-racional, não pode ser definido em palavras.

Por isso, para tentar traduzi-lo, o autor compara o Wabi-Sabi com o Modernismo. Enquanto o segundo é absoluto, busca por soluções universais, coloca sua fé no progresso, é orientado pelo futuro, romantiza a tecnologia e valoriza o geométrico e as formas precisas; O segundo é relativo, busca por soluções individuais, não acredita na ideia de progresso, é orientado pelo presente, romantiza a natureza e preza pelo orgânico e formas naturais.

Um estado mental, um caminho espiritual e uma postura de vida que integra o todo, abraçando as verdade sobre a impermanência, imperfeição e incompletude da vida. uma prática de coerência universal.





Dito isso, eu volto a minha pergunta do título “O que você projeta nos seus fios?”.

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Curitiba - Brasil

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