Fios que tecem nossa história

Atualizado: 24 de Out de 2019

Por Vilma Silva*


Tenho falado, pesquisado e vivido conceitos sobre estética, educação, arte, infância, e temas relacionados ao campo da sensibilidade. Em especial, fazendo parte do grupo de pesquisa FIAR (Círculo de Estudo e Pesquisa, Formação de Professores, Infância e Arte, da Universidade Federal Fluminense), onde entrelaço meus pensamentos e minha maneira de ser e estar no mundo de forma ética e poética.


Neste grupo, caminho em diálogo com as abordagens narrativas e autobiográficas, nas quais pesquisadores são convidados a olhar para a sua própria história de vida, dentro e fora da escola, e encontrar nela suas vivências estéticas.


As narrativas de si fazem parte do trabalho de registro dos pesquisadores, sendo apresentadas como possibilidades para ampliação das dimensões de sua existência. Nas palavras de Passeggi (2008), uma referência no campo de pesquisa, “autobiografar é aparar a si mesmo com suas próprias mãos...”.


Nesse processo constante e profundo de reconstrução de mim, vou acordando memórias de tempo, lugares e acontecimentos relacionados às experiências do sensível que marcaram modos de pensar e sentir minha trajetória. Busco pistas de constituição de subjetividades. Heranças, pertenças, experiências formadoras, desejos e imaginários. Encontro nos trabalhos manuais, uma rede de significados Nesse processo constante e profundo de reconstrução de mim, vou acordando memórias de tempo,


Meu pai, pernambucano, poeta, compositor repentista e pedreiro sabia contar histórias e fazer jogos cantados de maneira envolvente. Falar era seu dom.Com ele, aprendi a ver a vida de uma maneira lúdica e, muitas vezes até fantasiosa. Me parecia tudo muito leve, mesmo com a dureza do sertão. Por outro lado, minha mãe, paulista, costureira, hábil na maestria do crochê e do tricô, sempre soube conduzir a família de maneira ordenada e calculada, como seus pontos artesanais.


Experiências vividas e guardadas em um lugar muito especial. Delas vêm a constituição do meu ofício de ser/fazer-se professor. A reapropriação de minha história mostra claramente que várias experiências significativas têm um sentido e que tornar-se sujeito da sua própria história pode ser um processo revelador, transformador e, além de tudo, formador.


Um processo em permanente construção. Falar de si não é uma escolha fácil e, muitas vezes

acaba sendo doloroso. Porém, pode revelar-se um caminho de beleza que puxa os fios da alma para fertilizar a vida com mais pertencimento e poesia.


Pode ser um convite-inspiração para quem está na busca por sentido.


* pedagoga, doutoranda em Educação na Universidade Federal Fluminense (RJ), atua há 22 anos na área de educação e é fundadora da Calore – Educação, Cultura e Arte. @caloreatelie

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Curitiba - Brasil

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