Craftativismo, o ativismo craft



Craftivismo: "uma maneira de olhar a vida, a expressão de opiniões através da criatividade para tornar a sua voz mais forte, compaixão profunda e busca pela justiça."


A definição do termo está no site de Betsy Greer, escritora e consultora, responsável por criar disseminar o conceito pelo mundo. Um nome criado para dar conta de nomear um movimento, que segundo ela, é mundial e atua na intersecção entre artesanato e ativismo. Algo que ela demonstrou em seu livro, Craftivism: the art of craft and activism, onde ela conta a histórias artesões ao redor do mundo que contribuíram ou contribuem para causas sociais, transformando o mundo com sua arte. Projetos de bordado comunitários, projetos de costura em prisões, o uso dos fios para crescimento pessoal, etc.





Além de Betsy, outra militante do Crafatativismo é Sarah Cobertt, autora do livro How to be a Craftivism - the art of the gentle protest, que apresenta o Craftativismo como uma forma silenciosa de ativismo através do artesanato, ideal para nós do time dos introvertidos. No livro, Sarah conta sua própria experiência de atuação em causas sociais e sobre como se sentia desgastada em atividades como passeatas ou de enfrentamento de pessoas (olha eu aqui de novo, rs.).





Craftivismo, uma novidade?


Mas será que o casamento do artesanato com o ativismo é algo novo? Certamente não. Já nos séculos XIX e XX, feministas já utilizavam técnicas de tricô, bordado e outras artes manuais têxteis para promover valores sociais e a autonomia das mulheres da cidade e do campo. As Arpilleiras Chilenas, que durante o período ditatorial no Chile usaram a técnica como forma de resistência, é uma das mais conhecidas formas desse tipo de atuação, graças a divulgação que Violeta Parra ajudou a fazer desse trabalho, expondo uma série de arpilleras no Pavilhão Marsan do Museu de Artes Decorativas do Louvre, em 1964.


Para Violeta, “as arpilleras são como canções bordadas”

Hoje em dias iniciativas como essas não param de se multiplicar, temos as Arpilleras brasileiras, um forte movimento de bordados feministas, ações em escolas, prisões e asilos. Em Portugal uma linda iniciativa de inclusão social para idosas faz sucesso nas redes sociais, o projeto A Avó veio Trabalhar promove autoestima em senhoras que renovam seus votos com a vida através da costura. Recentemente a artista brasileira Mana Bernardes esteve por desenvolvendo atividades com elas.


Na verdade acho que atualmente é quase impossível desenvolvermos trabalhos manuais sem pensarmos de alguma forma nos impactos sociais, ambientais ou culturais não é mesmo?

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