Como começam nossas roupas?


Os materiais têxteis são essenciais no cotidiano humano, fazem parte do início da cadeia produtiva da moda e são a matéria prima da maioria das roupas que temos no mundo. Já pensou como viveríamos sem eles? Este vídeo brinca com esta questão e dá uma noção da dureza que seria o nosso dia a dia sem os tecidos que nos cobrem, cuidam e acolhem:

https://www.youtube.com/results?search_query=um+mundo+sem+texteis

Contudo, as engrenagens de produção da indústria têxtil são bem problemáticas. Se antes a manufatura artesanal causava poucos impactos negativos por conta da pequena quantidade e velocidade, hoje o sistema industrial tem práticas cada vez mais desumanas, dotadas de métodos poluentes e meios de produção exploratórios. Isto faz com que refletir sobre os têxteis seja crucial para que possamos dar lugar a processos e materiais que viabilizem um sistema mais equilibrado e menos degradante.


Mas afinal, o que é um tecido?

O tecido é um material formado por fios entrelaçados, manual ou mecanicamente, que dão origem a uma superfície têxtil, usada para produção de diversos artigos. Esta é uma definição variável, pois existem superfícies têxteis que não são tecidas, ou seja, não tem os fios entrelaçados, como os tecidos-não-tecidos (TNT e feltro), e outras diferentes composições com materiais que podem também formar uma superfície.

Todo fio, que forma o tecido é composto por alguma fibra, que pode ser ou natural ou química. As naturais são aquelas provenientes da natureza, dividindo-se em vegetais (algodão, linho, rami, juta, entre outros), animais (lã, seda, entre outras) e minerais (amianto). Estas são as mais comuns, mas existem variadas fibras naturais, como a do leite e a do abacaxi.

Já as fibras químicas desdobram-se em duas classes principais: artificiais e sintéticas. As artificiais tem uma parte química e uma parte natural na sua produção; um exemplo é a viscose, que tem como matéria prima natural a celulose, mas passa por processos químicos para tornar-se a fibra definitiva. Outros exemplos de fibras químicas artificiais são o acetato, raiom e triacetato. As sintéticas são 100% químicas e provém de algum polímero, sendo geralmente o petróleo. Poliamida e poliéster são exemplos deste tipo de fibra.


Quais são as fibras mais produzidas no mundo?

Em 2017, mais de 105 milhões de metros de tecidos foram produzidos, conforme dados do relatório da Textile Exchange, que ainda mostrou quais são as fibras mais utilizadas no mundo: poliéster e algodão. Conheça um pouco processo produtivo:

O poliéster representa 60% do montante das fibras produzidas no mundo globalmente - um número que dobrou desde o ano 2000. Por definição química, é um polímero formado por vários ésteres; a principal reação que o produz é entre o álcool etilenodion e o ácido tereftálico. Essa reação origina o polímero politereftalato de etileno, comumente conhecido como PET e utilizado para fabricação de vários itens de plástico: garrafas, embalagens e têxteis.

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Para a fabricação da fibra, utilizada nos artigos de vestuário, o poliéster entra em fusão com temperaturas de 253ºC a 259°C, até que se liquefaz. Este líquido é puxado por meio de uma extrusora, semelhante a um “chuveiro”, que determina o tamanho dos filamentos e os mantém alinhados continuamente. Depois, acontece um processo de torção que transforma esse filamento em fio. Sua produção utiliza recursos não renováveis: substâncias químicas extraídas do petróleo (bruto ou gás), além de consumir muita água em seus processos, e demora em média 400 anos para se decompor em condições naturais.

O algodão é uma das fibras mais antigas e utilizadas do mundo, que garante ao Brasil a posição de ser seu segundo maior exportador mundial e tem sua maior produção no centro-oeste.

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É uma planta composta quase 100% de celulose e bastante resistente a seca - por isso seu cultivo em diversas regiões do mundo, principalmente em semiáridos. Quase tudo nele é aproveitado: caule, folhas e bagaço para a alimentação animal; caroço para produção de óleo; e pluma para a produção de fibras utilizadas em diversos segmentos têxteis. Atualmente, a maior parte é aplicada nestes artigos, incluindo o vestuário. Suas etapas de produção são: plantio, onde as sementes de algodão são plantadas enfileiradas em grandes lavouras, normalmente rotativas com a produção de soja ou milho, e florescem em mais ou menos 6 semanas; essa flor cai ou seca, dando origem ao chamado de “maça”, que é um bagaço onde acontece a maturação da pluma do algodão; depois de mais ou menos 70 dias, essa pluma está pronta para a colheita; nesta etapa muitos pesticidas e agrotóxicos são utilizados para manter o crescimento da planta; colheita, onde o algodão é colhido por meio de algum maquinário específico ou por pessoas; descaroçamento, pois na fase anterior outros tipos de folhas e plantas são recolhidas, então o algodão passa por uma fase de ‘limpeza’, onde esses rejeitos são separados da pluma do algodão em si; e distribuição, onde o algodão é transformado em fardo e transportado para as indústrias têxteis para ser fiado e depois tecido.


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